30 de março de 2012

Da existência

foto de Tiago Lima ( http://www.flickr.com/photos/tiagolima/)

O domínio próprio enraíza-se ou perde-se de maneira brusca e forte. 
É preciso prevalecer diante das lutas absurdas e dos desejos insaciáveis. 
É preciso suar na pele, sentir o odor adjacente da alma para compreender o princípio da existência.

17 de março de 2012

Perfeição

Foto de Tony Frissel - via web

Eu já passei por isso antes, essa angústia que parece envidraçada, algo como um suspiro estrondoso no meio de silêncios fartos. É exatamente como a clareza que me acorda agora, um assombramento divino, olho no espelho e os olhos estão compreensivos, mesmo que eu não entenda. A precisão e a certeza é aquilo que me consola profundamente nesse espaço pequeno de mundo, não são pessoas, abraços ou meros amores, mas o absoluto nas situações, no equilíbrio, isso é o que arranca do peito um tremor e o diz para repousar. A fração em que agora transbordo é exatamente a fração em que devo estar para compreender, feito vidente que entende os traços da palma das mãos. A perfeição é invisível, mas ora ou outra, ela dança gentilmente sob uma luz fosca bem diante de nossos olhos fatigados e salva-nos de um afogamento.

10 de março de 2012

Deslumbramento


foto de Keid-89
(http://keid-89.deviantart.com/)

Quero beijá-lo, quero perdê-lo dentro de mim, quero esquecê-lo em retratos, criar histórias e aprofundar toques e suspiros. O medo é o de não poder olhar esses olhos de tão perto, medo convicto de esquecer sem ter visto. Preciso dessa falta capaz de me atormentar para torná-lo meu afeto. Quero vê-lo sempre, quero sentir esse toque em minha pele e desfalecer de tormento lentamente, quero morrer, quero viver, quero chorar e sorrir, não há querer que me afaste dessa mensagem crescente na alma, não há história que percorra caminhos tão distantes a ponto de me alcançar como a sua me alcança e me atinge feito bomba. Estou destruída em pedaços, estou petrificada. Eu estou deslumbrada.

2 de março de 2012

Não me diga que é tarde

Imagem do filme "Luz Silenciosa"

Sinto muito se você não cresceu dentro de mim como uma árvore que rebenta dentro de uma casa, destruindo telhados, paredes e esticando os galhos pelas janelas. Desculpe se eu não soube te reconhecer de imediato e não deixei crescer aquela vontade súbita de amar-te, de querer-te indefinidamente. Desculpe, mas você não pode dizer que agora é muito tarde. Tarde é para as almas sem consolo que se perderam em praias desertas, prédios, ruas lotadas e asfixiadas. Tarde é para os que se recolhem na noite sem a fagulha que desperta a procura.