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| foto de Jam Velvet (http://www.flickr.com/photos/jam_velvet) |
Aquele cheiro eu não desvendava, nem o seu rosto. Via apenas aquela nuca embaraçada diante de mim, aqueles cabelos marrons desordenados que o vento tentava pôr em ordem. Eu queria passar meus dedos por eles, navegar no cheiro que me despertou. Seus olhos eu adivinhava, sua barba atravessava a rua quando ele olhava para os lados. Como entender o jeito que passam as pessoas e ficam gravadas? Meu peito doía da despedida inevitável ao vê-lo sumir bem mais apressado do que eu nas obscuridades de um ônibus matinal ainda vazio. Meu peito doía de dó de precisar esquecer o amor gravado em pequenas tiras de história, nunca em um livro inteiro, era sempre passageiro e rápido.
O sonho despertava afobado, o deslize me mantinha sempre atenta, cada descoberta era uma pequena maravilha que precisava ser delicadamente apreciada. Eu descobri o homem de nuca perfeita e passos desleixados, me apaixonei pelo amassado de sua camisa e pela calça jeans revisitada. Amei um desconhecido mais de uma vez e todos esses amores que passavam rápido testificavam uma certeza pungente no coração quieto: eu podia amar. E poder amar traz essa esperança de um dia uma nuca me olhar nos olhos e me amar de volta, dessa vez não o amor gravado em uma tira de uma história, mas o amor gravado em um livro inteiro.

1 comentários:
De preferência um daqueles que ainda não tenha sido escrito.
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