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Como compreender a fome absurda que corrói a alma? Como amar perdidamente e não navegar na direção em que pedimos amor em troca? Sossego o espírito, procuro nos ramos de alguma flor menos vadia o toque acolhedor que cerrará meus olhos por apenas alguns instantes. Pedir é mais do que sonhar. A fome aparta-se e depois ressurge insana. Essa intermitência mata mais do que cura, por isso é preciso repousar, encontrar a paz nos modos que o corpo insiste, o corpo mais do que a alma, porque o corpo tem memória bruta e nunca esquece, o corpo armazena os desejos intensos e não os perde nunca de vista, já a alma se expande e esquece, por isso é preciso compreender um e o outro em tempos opostos e trocar e amar e esquecer e revidar. Amar a alma, depois o corpo, ouvir o corpo, depois a alma, repetidamente, em uma sucessão sem fim. Não seria esse o propósito da vida? Encontrar sentidos entre o corpo e alma que o mundo jamais pode desvendar?

4 comentários:
E o que é de um, sem o outro?
Belo texto.
isso é tão difícil Ludmila, isso é a insustentável leveza do ser, rs, os sentidos do corpo e da alma, um pode ser palpável outro lúdico e quem é quem nessa história? o corpo quer a alma entende já dizia renato russo,
abs!
Acho que sim, seria esse o propósito da vida.
http://pintandoparadoxos.blogspot.com/
Acho que sim, seria esse o propósito da vida.
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