20 de agosto de 2011

Avô


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Ele era silencioso como o poente, desregulava os pássaros, armava casas diante do mundo sem destruir um grão de terra, se desgarrava da imensidão tornando-se príncipe dos pedintes. Ele era vidente das obras confidenciadas em sonhos e criava o dia com palavras amanhecidas. Era cheiro de leite, culto de domingo, fruto recém colhido e ruga no canto do olho.
O meu avô me fez ser duas metades: uma, cumplicidade e a outra, infância.


*Para o único avô que conheci que se despediu de mim há 11 anos.

2 comentários:

Hatinha disse...

Tão lindo o seu texto
Quando alguém fala de avôs eu só me lembro do meu e me vem no rosto aquele sorriso de saudade, como amei e amo o meu avô, já faz algum tempo que ele se foi e ainda sua presença na casa de minha vó e de repente sua ausencia, é assim quando penso nele

beijoo

Sandro Ataliba disse...

Belíssimo texto, Ludmila. Meu avô também foi muito importante em minha vida. Bela lembrança.