É muita coisa para uma Ludmila só. Agora que as férias começam a dar as caras, surge aquela necessidade insana de ir a praia, ter aquela sensação de calor subindo pela minha nuca e o vento que o mar traz consigo e aquele cheiro de areia. Venho sonhando com aquele céu azul desde sempre. Estou em fase de contentamento, fato. Além da outra necessidade insana (insana porque também compõe uma paixão) de ler os milhares de livros intocados guardados em meu guarda-roupa। Clarice, Moraes, Pessoa,Verissimo (o pai, não o filho) e tantos outros. Ah, como senti falta de todo aquele pessimismo adorável de Augusto dos Anjos. Agora, quem sabe, os terei todos, e deixarei a faculdade (razão de minha outra paixão) de lado por enquanto. Também é preciso paz, mesmo que eu não consiga medir minhas duas paixões e precisar qual se sobressai mais. A literatura é meu lado pacífico, que faz eu me apaixonar tantas vezes e ver todas as coisas com olhos muito mais intensos do que antes. A área da saúde é meu caos particular, que me tira do sério e da rotina chata e mórbida, é aquilo que me traz segurança e me faz sorrir, constantemente. Os dois não combinam, nem sequer tem um pé de semelhança, mas para mim, os dois unem-se em extremos opostos dentro de minha alma e me transformam nessa coisa estranha que se chama eu. Falando nisso, preciso dizer, outro escritor surgiu em minha vida, bati de frente com ele quase que por acaso, assim sem querer mesmo e descaradamente, apaixonei-me novamente. Caio Fernando Abreu. Mais um para minha eterna lista de grandes amores. Onde vou parar?




